Cooperado, será que dividir seu café em pequenos lotes vale mesmo a pena?

Estamos nos aproximando da safra e vale a pena tocarmos neste assunto novamente. Já sabemos que a granelização é cada vez mais necessária e que as sacarias terão, em um futuro próximo, uma possível extinção. Sendo assim, alguns questionamentos sempre vêm à tona quando abordamos este tema.


Muitos cooperados têm receio de entregar seus cafés em big bags por causa das amostras e, consequente classificação de seus cafés, que serão feitas pela cooperativa. A preferência por dividir seu produto em microlotes, acreditando que dessa maneira a chance de defeitos serem encontrados será menor, não passa de ilusão.


Conversamos com o gerente do departamento de classificação e degustação da Cocatrel, o Q Grader Pierre Ferreira de Brito sobre este assunto, e tentaremos exemplificar, aqui, o que acontece na prática.


Quando o café é entregue à cooperativa, pelo cooperado, uma amostra é retirada do lote recebido pela Cocatrel. Se for em sacaria, cada saco será furado e uma pequena amostra será retirada de cada um para formar um liga homogênea, que será classificada e, posteriormente provada, para que se obtenha o resultado final da classificação. Caso o fiel perceba uma discrepância muito grande nos grãos de uma determinada sacaria, a mesma é separada e classificada separadamente.


Quando o café chega a granel e em bags, amostras também serão coletadas durante o descarregamento deste café, para que se obtenha, da mesma forma, uma amostra homogênea do café que foi entregue. Neste caso, não teremos como separar os cafés de pior qualidade, pois estarão misturados naquele grande lote.


Como é feita a classificação?


Vamos exemplificar, de maneira hipotética, com números fictícios, como é feita a classificação dos grãos:


- Um lote de café, com 1000 kg, é entregue à cooperativa. Deste lote será retirada uma amostra e, desta amostra, cinco xícaras serão provadas, chegando ao resultado final X.


-Caso o cooperado decida dividir estes 1000 kg em 10 lotes, de 100 kg cada. Para cada 100 quilos ele terá uma amostra retirada e cinco xícaras serão provadas. No final, serão provadas 50 xícaras deste café. Neste caso, a chance de serem encontrados defeitos ali, aumenta em 10 vezes, até chegar ao resultado X.


Portanto, estatisticamente, fica comprovado que, mesmo que o cooperado tenha um lote de cafés especiais, é normal que alguns grãos verdes ou com algum problema esteja misturado ali. Quanto mais amostras provadas, maiores serão as chances destes defeitos serem encontrados.


É muito importante lembrar que desde 2016 a classificação dos cafés na Cocatrel é feita de maneira absolutamente imparcial, através de códigos, o que é chamado de classificação às cegas, onde o classificador/provador não tem acesso às informações sobre o lote ou o nome do produtor dos cafés que estarão em análise.


Fica então um alerta para que os cooperados pensem antes de entregar seus cafés. Será que não está na hora de mudar este hábito?


Para complementar, há alguns anos a Cocatrel tem cobrado de seus cooperados um valor por amostras extras entregues em seus armazéns. Para a safra 2017, os valores praticados serão os seguintes:

Para o recebimento a granel: 1 amostra será aceita

Big bags: 2 amostras

Sacarias: 3 amostras; acima de 3 amostras será cobrado o valor de R$30,00, por amostra.


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