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Café não é só terroir. Café quem faz é o produtor

 

 

 

            Pausa para o café. Mas não qualquer cafezinho. Durante aula O Mapa do Café no Brasil, no 9º Paladar Cozinha do Brasil, a especialista Isabela Raposeiras (leia entrevista abaixo) apresentou cinco tipos de café de diferentes regiões do País, que se destacam pelo cuidado dos produtores com a lavoura e na forma como aproveitam o terroir de sua microrregião. “Eu não acredito em regionalismo de café, é muito mais o manejo de cada produtor do que a região. Como ele seca, produz, escolhe a variedade, isso que influencia”, disse Isabela. “Eles conseguem retirar o melhor de seus terroirs, enquanto um vizinho produz um café horroroso, por exemplo”. 

            O resultado comprovado durante a degustação são grãos que atingem todos os parâmetros de qualidade, como acidez equilibrada, complexidade sensorial, corpo, não são amargos e não têm defeitos.

           Veja a lista dos cafés apresentados por Isabela Raposeiras: 

Bourbon Vermelho

Produtor: Tomio Fukuda Patos de Minas (MG)

Café da Sombra (blend)

Produtor: Felipe Croce Mococa (SP)

Catuaí Vermelho

Produtor: Joselino Meneghetti Brejetuba (ES)

Catuaí Amarelo

Produtor: Luiz Vilella Jesuânia (MG)

Sol Amarelo (blend)

Produtor: Leonardo Bittner Piatã (BA) 

 

ENTREVISTA

 

Acabamos de ver que as pessoas vem pedir desculpas para você porque está tomando um café que não é o seu ou porque coloca açúcar ou adoçante no café. O que acha disso?

Isso é triste, pois as pessoas acham que vou criticar o que elas bebem, enquanto na verdade cada um tem o direito de tomar seu café do jeito quiser. É a mesma coisa de você imaginar que os chefs só comem coisas sensacionais, acender um cigarro do lado de um médico e pedir desculpa porque tá fumando.

O que acha dessa tendência de se prender à técnica e especificidades?

Acho que é uma tendência pendular, necessária talvez para construir uma cultura. Depois acho que a gente vai para um lugar mais confortável. Para achar o caminho do meio, a gente precisa ir para um extremo e outro. É um movimento natural de uma cultura que se implanta. É chato e quem fica muito nisso acaba não aproveitando direito, fica tão ligado à questão rigorosa, fica muito rígido.

Recentemente você foi surpreendida por algum café novo, trouxe para a degustação?

Trouxe um café da Bahia que gostei muito e provei na semana passada. Estava procurando um café dessa região, de Piatã. 

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