Mercado a termo: “contrate agora, acerte depois”.


O mercado a termo é um mecanismo de negociação futura que auxilia na gestão de custos do produtor rural



O princípio básico do mercado de futuros é: “contrate agora, acerte depois”. Em uma operação a termo, compradores e vendedores se comprometem, no presente, a realizar determinada operação no futuro. Dessa maneira, o produtor se protege contra a oscilação de preços e consegue fazer, com mais eficiência, a gestão dos custos de produção.


Pegando como exemplo o produtor de café e as referências de negociação futura (termo) de uma das maiores cooperativas de cafeicultores do Brasil, a Cooperativa dos Cafeicultores de Três Pontas (Cocatrel), entende-se que a negociação a termo é um mecanismo importante, mas deve ser realizada com cautela.


Segundo Lúcio Caldeira, professor especialista em Marketing, Gestão Estratégica e Mercado de Futuros, a operação pode ser vantajosa, mas possui riscos. “O Termo é uma modalidade cada vez mais utilizada pelo produtor e uma ferramenta importante de proteção de lucro. o cafeicultor não pode jogar e não deve arriscar toda a sua safra em uma única operação”.

Na Cocatrel, recomenda-se que o produtor utilize até 30% da safra nesse tipo de operação, justamente por conta dos riscos inerentes ao mercado e também da possibilidade do não cumprimento dos contratos por uma das partes.


No café geralmente prevalece o tipo de mercado “cash and carry”, situação em que os preços futuros são maiores que os do presente. Além disso, os preços futuros e presentes atuam em paralelo e, por isso, se o preço à vista sobe, o futuro também subirá.


Tais características acabam por gerar oportunidades para o cafeicultor, uma vez que ele pode aproveitar as altas do mercado à vista para garantir preços para a safra futura. Para exemplificar, imaginamos que o preço da saca do café hoje esteja R$400. Para realizar uma operação futura, com vencimento para setembro de 2020, o valor da saca é R$490. Como não é possível saber como estará o mercado em 2020, o produtor poderá garantir os R$490, para entregar o café e receber o dinheiro, em setembro de 2020.


Mas é aí que mora o risco. Se o produtor comprometer 100% de sua safra e os preços do café chegarem a R$600 em 2020, ele estará perdendo dinheiro. Contudo, se ele fizer o termo com 30% da safra e o mercado subir a R$600, ele garantirá os 30%, a R$490, e os outros 70%, a R$600. Esse é o mecanismo que deve ser praticado pelos cafeicultores.


Em relação aos riscos, suponhamos que o mercado tenha uma forte baixa. Corre-se o risco do não cumprimento do contrato por parte do comprador, que poderá tender a não pagar mais alto que o preço praticado no mercado físico. Caso o mercado tenha forte alta, o risco fica por conta do produtor, que poderá tender a não entregar o café, uma vez que poderá vende-lo por um valor mais alto que o acordado.


Exatamente por isso, recomenda-se cautela ao produtor nas negociações a termo, já que existem riscos quanto à integridade no cumprimento dos contratos. Isso explica a tendência dos produtores fazerem esse tipo de operação por meio de suas cooperativas, que possuem maior poder de negociação, além de minimizarem os riscos quanto ao não cumprimento dos contratos.

Enfim, o produtor que não faz negociação futura fica totalmente exposto à oscilação dos preços e, ao contrário do que muitos pensam, ele deve torcer para o mercado subir, pois dessa maneira, ele garante uma margem de lucro em relação ao custo de produção e vende melhor a maior parte de sua safra, podendo, também, recorrer novamente ao mercado à termo para o ano seguinte.


A Cocatrel está à disposição para mais informações sobre este e outros mecanismos de mercado futuro. A orientação ao produtor é a base do negócio da cooperativa e, se quiser aprofundar mais no assunto, a Cocatrel te explica.

Copyright (c) 2018 COCATREL. Todos os direitos Reservados