Maio 2022: Ondas de frio e previsões de geadas fazem de maio um mês extremamente volátil

Maio 2022: Ondas de frio e previsões de geadas fazem de maio um mês extremamente volátil

Pode-se analisar o mercado de café, em maio de 2022, dividindo-se o mês em dois períodos. No primeiro, que aconteceu entre os dias 2 e 10, os preços recuaram. A primeira semana trabalhou com preços médios para o padrão COC 3 em R$ 1.269, enquanto os dias 9 e 10 apresentaram as menores cotações de maio de 2022, com Nova Iorque vencimento setembro atingindo 203,80 c/lb e o COC 3 sendo cotado a R$ 1.224. A queda só não foi maior em função do dólar, que nesse período ficou cotado na média de R$ 5,06. Esse período foi uma continuidade das semanas de abril, que formaram um canal de baixa.

O segundo período do mês apresentou ondas de frio, com previsões de geadas, refletindo em altas de preço importantes, seguidas de baixas de preço, também significativas, em função da não ocorrência das geadas. Foram três ondas.

Após atingir a menor cotação do mês no dia 10, o dia 11 foi marcado por uma alta de 1.600 pontos e Nova Iorque passou de 203,80 c/lb para 219,80 c/lb. No mercado físico, os preços subiram R$ 63 mem um dia e passaram de R$ 1.224 para R$ 1.287. Previsões de geadas para as regiões cafeeiras do Paraná, São Paulo e Sul de Minas explicam o movimento. Os dias 12 e 13 foram de baixa com a confirmação da não ocorrência do fenômeno climático atingindo os cafeeiros. O preço do físico caiu para R$ 1.266.

As previsões de frio voltaram a sinalizar previsões de geada durante o fim de semana e na segunda e terça, dias 16 e 17, o mercado apresentou nova alta, passando de 214 c/lb para 226 c/lb, significando preços médios de R$ 1.312,50, os melhores do mês. A não geada fez o mercado cair e entrar em um período de estabilidade que durou seis dias, entre 18 e 25. Nesse período, o preço médio de Nova Iorque foi de 216 c/lb e o COC 3 ficou na média de R$ 1.240, apresentando oscilação de R$ 55 entre a máxima e a mínima, em função do dólar, que nesses dias foi a variável chave para o mercado, tendo máxima de R$ 5,00 e mínima de R$ 4,80.

A terceira onda aconteceu nos últimos dias de maio de 2022 e, além da oscilação provocada pela chegada do inverno no Brasil, teve influência da seca nas regiões cafeeiras, que já começa a preocupar para a próxima safra, a de 2023. Os preços médios entre 26 e 31 ficaram em 229 c/lb para o vencimento setembro de NY e os preços do COC 3 ficaram em R$ 1.275.

Enfim, a alta acumulada entre o dia 2 e o dia 31 foi de 1.600 pontos, passando de 215 para 231 c/lb. No mercado físico, o COC 3 saiu de R$ 1.265 para R$ 1.280, tendo a mínima a R$ 1.215 e a máxima a R$ 1.315, variação de R$ 100 por saca. Além dos fatores frio e seca, outras questões continuam a influenciar o mercado. Covid-19 na China, Guerra entre Rússia e Ucrânia, problemas logísticos para exportar café e previsão de quebra na safra brasileira são os principais, mas o que mais preocupa o mercado é o clima e previsões de geadas no inverno brasileiro podem tornar o mercado ainda mais volátil e instável.

COC 3: Bebida dura limpa, cor esverdeado ou esverdeado/manchado, aspecto bom, seca boa/uniforme.

Lucio Caldeira

Lucio Caldeira

Lúcio Caldeira é professor, palestrante, consultor e escritor, atuando nas áreas de Marketing e Gestão Estratégica. É autor dos livros: A Guerra do Café; Revoluções no Café; e Batalhas do Futebol. Atua como comentarista do programa de TV - Café com TV, com os blocos – “Palavra do Especialista” e “Café e Cultura” da TV Alterosa/SBT, e é colunista da Revista Cocatrel, com as colunas: Opinião; “E por falar em Café” e “Mercado do Café”. Professor no Unis, é formado em Administração, especialista em Finanças, Mestre em Estratégia e Doutor em Marketing.

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