Fevereiro de 2022: Nova Iorque em alta e preços físicos em baixa, um mês com papel protagonista do dólar

Fevereiro de 2022: Nova Iorque em alta e preços físicos em baixa, um mês com papel protagonista do dólar

A primeira semana de fevereiro de 2022 apresentou alta em relação à média do mês de janeiro, evoluindo de 236,50 c/lb para a média de 240 c/lb. Preocupações com a oferta restrita do grão foram os responsáveis por esse movimento. Entretanto, no Brasil, os preços pagos aos produtores mantiveram-se estáveis, por conta da desvalorização do dólar que saiu de R$ 5,42 (última semana de janeiro) para R$ 5,30. O café COC 3 foi negociado na média semanal ao valor de R$ 1.481, praticamente igual a média da última semana de janeiro (R$ 1.479).

A segunda semana foi movimentada e apresentou alta significativa dos preços que fecharam na média de 251 c/lb. A queda do estoque de café certificado da Bolsa de Nova Iorque foi a responsável pelo movimento, atingindo 1.06 milhões de sacas, o menor em 22 anos. Com isso, no dia 9 os preços atingiram o maior valor em 10 anos, apresentando fechamento em 258,35 c/lb. Nesse dia, a Cocatrel negociou o padrão COC 3 na média de R$ R$ 1.540, sendo essa a maior cotação do mês. A média da semana ficou em R$ 1.514, sendo R$ 33 maior que a média da primeira semana. O dólar médio ficou em R4 5,24.

A terceira semana apresentou estabilidade nos preços do terminal novaiorquino, com preços médios em 250 c/lb. Porém, a queda do dólar, que passou de R$ 5,24 para R$ 5,17 fez com que os preços pagos ao produtor recuassem. O COC 3 foi vendido em média a R$ 1.486, significando uma queda de R$ 28 por saca.  

Na quarta semana, os preços em Nova Iorque caíram e fecharam na média de R$ 242 c/lb, próximos à média da primeira semana (240 c/lb). Assim, o mês apresentou o que o mercado chama de figura ombro-cabeça-ombro, situação em que os preços intermediários ficaram acima e próximos entre si em relação aos da primeira e última semana, que formaram os ombros da figura. Os preços da terceira e quarta semana foram de 251 e 250 c/lb.

No mercado físico, os preços recuaram de forma mais significativa na última semana, apresentando média de R$ 1.440. Foi a terceira semana de queda consecutiva e o dólar a R$ 5,11 teve efeito importante nessa baixa dos preços. Esse preço médio semanal foi o pior desde a última semana de novembro de 2021, quando o COC 3 foi negociado na média de R$ 1.437.

Em síntese, na bolsa de Nova Iorque fevereiro de 2022 apresentou alta em relação a janeiro, saindo de 236,50 para 243,36 c/lb. Apesar disso, os preços pagos ao produtor recuaram de R$ 1.490 para R$ 1.480 e o grande responsável foi o dólar que saiu de R$ 5,53 para R$ 5,11 no mesmo período.

Lucio Caldeira

Lucio Caldeira

Lúcio Caldeira é professor, palestrante, consultor e escritor, atuando nas áreas de Marketing e Gestão Estratégica. É autor dos livros: A Guerra do Café; Revoluções no Café; e Batalhas do Futebol. Atua como comentarista do programa de TV - Café com TV, com os blocos – “Palavra do Especialista” e “Café e Cultura” da TV Alterosa/SBT, e é colunista da Revista Cocatrel, com as colunas: Opinião; “E por falar em Café” e “Mercado do Café”. Professor no Unis, é formado em Administração, especialista em Finanças, Mestre em Estratégia e Doutor em Marketing.

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