Antes e depois da geada

Antes e depois da geada

Após a geada que atingiu a região cafeeira no dia 20, julho de 2021 entra para a história como um dos períodos de maior volatilidade no mercado cafeeiro.

Julho de 2021 entrará para a história da cafeicultura brasileira e será lembrado como o mês em que ocorreu uma importante geada no parque cafeeiro, algo que não ocorria desde 1994.

Antes da geada, o mercado trabalhava com preços médios de 154 c/lb no vencimento setembro na bolsa de Nova Iorque. E os preços pagos aos produtores eram de R$ 849 por saca de 60 quilos. Isso para um café COC 3 (bebida dura limpa com 10% de catação). A geada ocorreu no dia 20 e a partir daí houve uma escalada dos preços. Do dia anterior à geada (19/7) ao dia 26/7, exatamente a segunda feira posterior, o mercado subiu 5.140 pontos ou 33%. O mercado físico acompanhou o movimento da bolsa e passou de R$ 875 para R$ 1.100, maior fechamento do mês, coincidindo com Nova Iorque, que fechou a 207,80 c/lb no dia 26 de julho. A alta nos preços físicos foi de 26%.

Importante notar que a alta dos preços nesse período foi motivada pelos efeitos da geada, já visíveis, e, também por uma expectativa de nova onda de frio, que atingiria o sul do país e parte do sudeste e centro oeste. Assim, a expectativa de nova geada contribuiu, em parte, para a alta ocorrida.

A partir do dia 26/7, os preços recuaram dia após dia e um canal de baixa foi estabelecido. A baixa acumulada entre o dia 26 e o dia 30 foi de 2.825 pontos saindo de 207,80 para 179,55 c/lb. Os preços físicos também recuaram, passando de R$ 1.100 para R$ 1.010. Note que a queda na bolsa foi de 14%, enquanto o mercado físico apresentou perda de 8%. A queda nos preços na bolsa, motivada por realizações de lucro e, também pela queda de expectativa quanto à onda de frio prevista para os dias 29 e 30 foi seguida de resistência de venda por parte dos produtores, que apostam na recuperação do mercado em função dos prejuízos causados pela geada. Mesmo com a queda, tivemos sete dias de preços acima de R$ 1.000 a saca. Ainda é cedo para dimensionar o tamanho do prejuízo causado, mas é certo que a geada, de modo geral, foi severa. As perdas serão sentidas na safra de 2022. A Ministra da Agricultura Tereza Cristina visitou a região do Sul de Minas e se comprometeu na ajuda de soluções para os produtores. Após 27 anos, o Brasil volta a ser afetado por uma geada e a certeza maior é que os preços maiores não serão suficientes para cobrir o prejuízo para o setor cafeeiro.

Lucio Caldeira

Lucio Caldeira

Lúcio Caldeira é professor, palestrante, consultor e escritor, atuando nas áreas de Marketing e Gestão Estratégica. É autor dos livros: A Guerra do Café; Revoluções no Café; e Batalhas do Futebol. Atua como comentarista do programa de TV - Café com TV, com os blocos – “Palavra do Especialista” e “Café e Cultura” da TV Alterosa/SBT, e é colunista da Revista Cocatrel, com as colunas: Opinião; “E por falar em Café” e “Mercado do Café”. Professor no Unis, é formado em Administração, especialista em Finanças, Mestre em Estratégia e Doutor em Marketing.

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