Junho de 2021: A “montanha russa” do mercado

Junho de 2021:  A “montanha russa” do mercado

Junho de 2021 apresentou movimento de queda nas semanas intermediárias e recuperou-se no final. Ainda assim, superou maio – sendo, até o momento, o melhor mês do ano para os preços do café.

A primeira semana de junho foi positiva para os preços do café e acompanhou a trajetória de alta ocorrida durante o mês de maio. A média de preços na bolsa de Nova Iorque foi de 160 centavos de dólar por libra peso no vencimento julho, e isso significou vendas médias pagas ao produtor na faixa de R$ 881 a saca de 60 quilos. Isso para o padrão COC 3, que é um café bebida dura limpa. Foi considerado o percentual de 13% de catação, isso para ficar em consonância com o padrão Cepea/Esalq, que considera seu índice por meio de um café bebida dura tipo 6 com 86 defeitos. Vale aqui notar que, no dia 1º de junho, ocorreu o preço máximo do mês, quando um café no padrão descrito acima foi vendido a R$ 886 na cooperativa.

Até então, a questão dos efeitos da seca para a atual safra brasileira e os problemas logísticos na Colômbia, que estavam impedindo o escoamento da safra, eram as variáveis mais determinantes para se orientar as expectativas dos atores do mercado. A partir da segunda semana do mês, as chuvas chegaram à principal região produtora do Brasil, o cinturão que engloba o sul de Minas e a mogiana paulista, e os efeitos nos preços foram sentidos. Os preços médios caíram de 160 c/lb para 158 c/lb na segunda semana, e continuaram a trajetória de queda, com cotações em 151 c/lb e 153 c/lb nas terceiras e quarta semanas. No Brasil, as cotações em reais saíram de R$ 881 na primeira semana para R$ 863, R$ 835 e R$ 829 na segunda, terceira e quarta semanas. O dólar em queda também contribuiu para os resultados em reais, que saíram de R$ 5,10 para R$ 5,07, R$ 5,04 e 4,97.

Na quinta semana do mês, formada por apenas três dias, o mercado reagiu, em função do frio, que chegou à região cafeeira trazendo previsões de geadas. Os preços médios em Nova Iorque voltaram aos preços iniciais do mês, com média de 160 centavos de dólar por libra peso para o vencimento julho. Em reais, os preços subiram de R$ 829 para R$ 849 a saca. O mercado não conseguiu acompanhar o movimento de Nova Iorque e, apesar da alta, ficou longe dos preços médios da primeira semana, quando foram cotados na média de R$ 881. Isso ocorreu em função da paridade real-dólar. O dólar na quinta semana continuou em queda, e valendo R$ 4,93 não conseguiu transferir ao produtor a diferença de preço observada nas cotações em centavos de dólar por libra peso.

A maior cotação do mês ocorreu no dia 1º, quando a cooperativa negociou o padrão COC com 13% de catação a R$ 886. A menor cotação ocorreu no dia 24, quando o padrão descrito acima foi negociado a R$ 819. Isso significou uma diferença de 67 reais por saca entre o maior e o menor preço. O preço médio ficou em R$ 848, acima dos preços médios de maio (R$ 835) e de abril (R$ 754).

Em síntese, a primeira e quinta semana de junho de 2021 foram as melhores em termos de preços. As três semanas intermediárias apresentaram um movimento de baixa, que só teve inversão em função do frio. E, mesmo terminando o mês com preços em reais abaixo dos observados no início do mês, junho superou maio e é até o momento o melhor mês para os preços do café no ano de 2021, e também nos últimos anos.

Lucio Caldeira

Lucio Caldeira

Lúcio Caldeira é professor, palestrante, consultor e escritor, atuando nas áreas de Marketing e Gestão Estratégica. É autor dos livros: A Guerra do Café; Revoluções no Café; e Batalhas do Futebol. Atua como comentarista do programa de TV - Café com TV, com os blocos – “Palavra do Especialista” e “Café e Cultura” da TV Alterosa/SBT, e é colunista da Revista Cocatrel, com as colunas: Opinião; “E por falar em Café” e “Mercado do Café”. Professor no Unis, é formado em Administração, especialista em Finanças, Mestre em Estratégia e Doutor em Marketing.

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