Março de 2021: veja o relatório do mês no Mercado de Café

De forma bem simples pode-se dizer que o mês de março de 2021 foi marcado por dois momentos. O primeiro, que contempla as três primeiras semanas caracterizou-se por preços médios em Nova Iorque, vencimento maio, acima de 130 c/lb; significando preços em reais acima de R$ 735 por saca. Isso para um padrão tipo 6 bebida dura e no mercado à vista. 

O segundo momento refere-se à quarta e quinta semana do mês, essa última com três dias. Nesse período, os preços trabalharam em um canal de baixa. Preço médio da semana quarta a 127 c/lb e quinta semana a 124 c/lb. Em reais, para o mesmo padrão descrito acima, e, também com pagamento à vista, isso significou preços médios de R$ 721 e R$ 715 reais. 

O mês foi marcado por grande oscilação e o intervalo de negociação em Nova Iorque, para o vencimento maio, com base em preços de fechamento foi de 13 centavos de dólar por libra peso, ou seja, um diferencial de 17 dólares entre a máxima (135,80 c/lb) e a mínima (122,60 c/lb). Vale aqui notar que a máxima ocorreu no dia primeiro e a mínima no dia trinta, o que evidencia o movimento de queda dos preços ocorrido a partir da quarta semana. 

Em reais, a diferença entre os preços máximos e mínimos foi bem menor que no caso da bolsa, o que é normal, já que o mercado físico não acompanha as movimentações da bolsa com a mesma intensidade e velocidade. O preço médio do mês ficou em R$ 730 e as oscilações ocorreram em torno de 20 reais para cima e 20 reais para baixo. 

Mesmo com a queda, março de 2021 apresentou o melhor preço do ano para o café. Em Nova Iorque o preço médio ficou em 129 c/lb, acima dos 127 c/lb e do 124 c/lb observados em fevereiro e janeiro. Em reais, também percebeu-se evolução, tendo passado de R$ 640 em janeiro para R$ 685 em fevereiro e R$ 730 em março. 

Além da alta geral em centavos de dólar por libra peso, o mercado a vista no Brasil foi beneficiado pela alta do dólar que passou de R$ 5,36 em janeiro para R$ 5,42 em fevereiro e agora fechou com média de R$ 5,65. Em março, o dólar saiu de média de R$ 5,67 nas duas primeiras semanas, fez uma “barrigada” na terceira e quarta semana, quando foi cotado na média de R$ 5,58 e voltou a subir nos últimos quatro dias, quando passou a trabalhar com preço médio de R$ 5,73. 

O cenário continua apostando em queda da safra brasileira, por conta dos problemas climáticos que afetaram as floradas, somado ao fenômeno normal da bienalidade da produção. Tudo indica que essa questão já precificou o mercado, que no curto prazo passa a ser mais afetado por movimentos técnicos. Há também uma preocupação com o consumo, principalmente depois que Alemanha, Itália, França e outros países aumentaram as restrições quanto à movimentação de pessoas e funcionamento do comércio, mas o ensinamento de 2020 é que o consumo será substituído – de fora para dentro dos lares, e não afetado negativamente. 

A questão central para o mês de abril é saber se o mercado irá trabalhar acima de 130 c/lb, como ocorreu por quatro semanas seguidas (a última de fevereiro e as três primeiras semanas de março); ou se 130 c/lb tornar-se-á a resistência, colocando os preços em um novo intervalo, no caso entre 120 c/lb e 130 c/lb.

Lucio Caldeira

Lúcio Caldeira é professor, palestrante, consultor e escritor, atuando nas áreas de Marketing e Gestão Estratégica. É autor dos livros: A Guerra do Café; Revoluções no Café; e Batalhas do Futebol. Atua como comentarista do programa de TV - Café com TV, com os blocos – “Palavra do Especialista” e “Café e Cultura” da TV Alterosa/SBT, e é colunista da Revista Cocatrel, com as colunas: Opinião; “E por falar em Café” e “Mercado do Café”. Professor no Unis, é formado em Administração, especialista em Finanças, Mestre em Estratégia e Doutor em Marketing.

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